Dakar: António Maio de Novo Com Boa Etapa Faz 19º da Geral

No penúltimo dia da prova, os três portugueses tievram uma boa etapa e apenas Mário Patrão perdeu tempo, na ânsia de ajudar o holandês Edwin Staver, quando o encontrou inanimado ao km 120.

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António Maio

Os três portugueses ainda em prova no Dakar tornaram a estar bem na etapa de hoje, ligando os participantes de Shubaytah a Haradh, naquela que foi a segunda parte da tirada maratona, com 379 quilómetros.

António Maio tornou a ser o melhor da classificação geral, ao conseguir o 19º lugar na etapa, a 25m22s do vencedor. Com este resultado, o piloto de Borba é 27º da geral e está em 12º da classificação G2 (pilotos não-elite). Ainda assim, o capitão da GNR teve alguns precalços, como o mesmo explica. “O dia correu bem. Hoje o percurso era composto praticamente só por travessias de dunas, uma etapa realmente bonita”, disse António Maio. “Estava tudo a correr bem quando me apercebi ao km 120 que tinha ficado sem gasolina no depósito da frente. Assim, tive que desacelerar e gerir bem o combustível que tinha até ao reabastecimento. Foi à justa porque cheguei apenas com meio litro de gasolina. Depois atestei a mota e continuei a dar o meu melhor. Amanhã é a última etapa deste Dakar 2020 e vamos continuar a trabalhar para chegar ao fim com um bom resultado.”

Mário Patrão

Mário Patrão também teve um dia intenso, embora não só pela questão competitiva. Passamos a explicar: o piloto de Seia terminou a etapa no 33º lugar, apesar de esse posicionamento não ter sido por falta de ritmo na KTM. Mário Patrão deparou-se com o piloto holandês Edwin Staver, quando este, com o dorsal #40, estava inanimado à sua frente. Patrão de imediato parou a sua KTM para prestar assistência, dando outra prova do desportivismo dos pilotos portugueses, algo que é sempre bom realçar. A situação de Edwin Staver é no entanto bastante grave, já que o piloto foi evacuado de helicóptero e se encontra neste momento em estado crítico. Após esta etapa, Mário Patrão está na 32ª poição da geral. “Foram dois dias da etapa maratona. Ontem estive a fazer revisão nas motas”, disse o piloto beirão. “Felizmente estavam todas bem e assim sendo, foi cumprido um dos nossos objetivos: o de que todas as motos da equipa voltassem ao bivouac sem problemas. Foi um dia com muitas dunas. Estava a ir no meu ritmo e ao km 120, enquanto estava a tentar encontrar um waypoint, vi um piloto caído, chamei de imediato a equipa médica e estive a prestar auxílio até à sua chegada. Senti a pulsação no pescoço dele assim que me aproximei, mas de repente deixei de sentir, não consigo verbalizar tudo o que senti: sozinhos no meio do deserto, num cenário absolutamente dantesco. A equipa médica finalmente chegou e realizou com sucesso as manobras de reanimação. Foram os 10 minutos mais longos da minha vida, só saí quando o entubaram e o levaram. Não sei como ele está. Percebi que era muito grave. Ainda tinha pela frente 250 km de especial para fazer, mas estava psicologicamente arrasado com o que tinha acabado de suceder, e o meu corpo não queria avançar. Subi para a moto sem saber como estaria o Edwin. Felizmente consegui terminar e chegar ao bivouac.”

Fausto Mota

Fausto Mota também teve um bom dia, terminando a etapa em 35º, o que lhe permitiu subir a 31º da geral, um ganho de cinco lugares comparativamente a ontem. O português, aos comandos de uma Husqvarna 450 Rally, ocupa ainda o 7º posto da classe Maratona. “A etapa de hoje foi um pouco difícil inicialmente, foram ainda muito quilómetros de dunas, mas conseguimos manter o ritmo e terminar a especial”, disse Fausto Mota. “Tivemos um pequeno problema com a bomba de gasolina traseira, mas nada grave. Amanhã é o último dia. Está quase mais uma edição deste grande desafio.”

Amanhã corre-se a derradeira etapa desta edição do Dakar, ligando Haradh a Qiddiya, num total de 167 km de especial cronometrada e 262 km de ligação.

Texto: Jorge Cabrita – Fotos: Oficiais

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