Dakar: António Maio Termina Como Melhor Português

Dos cinco portugueses que estiveram à partida nas motos, três chegaram ao final.

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António Maio

No derradeiro dia da edição 2020 do Dakar, correu-se a etapa entre Haradh e Qiddiya, uma das especiais mais curtas da prova, com apenas 167 quilómetros. Na conclusão de um rali onde Portugal perdeu um dos seus maiores campeões de motociclismo, Paulo Gonçalves, acabou por ser António Maio a sobressair como o português melhor classificado. O simpático piloto de Borba, capitão da GNR, foi 21º na etapa de hoje, concluindo a competição no 27º lugar da geral, 12º da classificação G2.

“Quero agradecer a todos os meus amigos e patrocinadores que tornaram possível este objetivo e que me acompanharam e apoiaram até ao fim”, disse António Maio à chegada a Qiddiya. “Quero dedicar a minha participação ao Paulo Gonçalves, um amigo e excelente piloto que está a olhar por todos nós de certeza. Obrigado também a todos os portugueses que estão aqui a apoiar-nos. Agradeço também ao meu mecânico Bruno Pires pelo trabalho excelente que realizou. Obrigado a todos.”

Fausto Mota

Aos comandos de uma Husqvarna 450 Rally, Fausto Mota também conseguiu concluir a prova. O piloto de Marco de Canaveses terminou a última etapa no 30º lugar. Na classificação geral, Fausto Mota foi 31º, além de terminar em 7º na classe Maratona.

“A etapa de hoje era muito bonita, quase sempre em fora de pista”, disse Fausto Mota. “Correu tudo bem, mantive o meu ritmo normal sem registo de percalços. Quero agradecer á minha família, aos meus patrocinadores e aos meus amigos e quero acima de tudo dedicar este Dakar ao Paulo (Gonçalves), à sua família e amigos que estão a passar momentos muito difíceis com esta perda.”

Mário Patrão

Mário Patrão fez um bom Dakar, embora a sua condição de mecânico das motos oficiais da KTM o tenha limitado e de que maneira em termos de resultado. O piloto beirão foi 29º na derradeira etapa, terminando a prova no 32º lugar.

“Foi um ano difícil, mas consegui terminar o Dakar que era o principal objetivo”, disse Mário Patrão. “Foi um Dakar num novo país, num novo continente e com muitas diferenças. Foi um Dakar muito mais rápido, com menos navegação e mais perigoso, no meu entender.  O descontentamento é geral e a organização terá muito trabalho para o próximo ano. Quero deixar um agradecimento a todos os patrocinadores, sem vocês estar aqui não seria possível. Agradeço o apoio, e acima de tudo a aposta feita, trazer os meus patrocinadores de sempre para uma equipa oficial é algo que me enche de orgulho, o meu bem haja a todos.”

A edição 2020 do Dakar ficará para os portugueses sempre marcada pela morte de Paulo Gonçalves. O piloto de 40 anos, de Esposende, foi a vítima de uma prova que este ano esteve bem mais perigosa que o normal e onde infelizmente o infortúnio tocou a um de nós e a todos nós um pouco. Ainda há a referir Joaquim Rodrigues, que tal como Paulo Gonçalves, participou na prova aos comandos de uma moto do Hero Motorsports Team Rally. O piloto de Barcelos, teve um grave problema mecânico no primeiro dia, que o retirou da classificação geral, mas não da prova. Joaquim Rodrigues abandonou no dia da morte de Paulo Gonçalves, de quem era cunhado. Toda a equipa da Hero Motorsports Team Rally abandonou a prova na sequência da morte do piloto português.

O Dakar 2020 não é uma prova que os portugueses queiram recordar, embora os três bravos que a terminaram sejam merecedores do nosso aplauso.

Texto: Jorge Cabrita – Fotos: Oficiais

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