Kristofferson Vence Derradeira Corrida em Sepang e Michelisz É Campeão

A derradeira corrida do ano no FIA WTCR foi épica, ganha por Johan Kristofferson e trouxe um novo Campeão, Norbert Michelisz.

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Norbert Michelisz festeja com a sua equipa a conquista do WTCR

A edição 2019 do FIA WTCR dificilmente poderia ter acabado de forma mais intensa. Com tudo para decidir na última das três corridas da Race of Malaysia, apenas 10 pontos separavam os dois candidatos, Norbert Michelisz e Esteban Guerrieri. Após uma corrida épica, venceu o húngaro, o campeonato, pois a prova foi ganha por Johan Kristofferson.

Uma corrida doida, é o mínimo que se pode chamar a esta última prova do ano no WTCR, com todos os ingredientes para ser, como decerto será, inesquecível. Noite, chuva e muita emoção, permitiram ao FIA WTCR ter um final que nem nos melhores sonhos se pode almejar.

Norbert Michelisz do Inferno ao Céu e Vice-versa para Esteban Guerrieri

Esteban Guerrieri não sai da Malásia com grande consideração por Mikel Azcona

A corrida começou como se queria, com os dois candidatos ao título a partilharem a primeira linha, Michelisz saindo na frente. No entanto, no arranque, o húngaro deixou derrapar as rodas dianteiras do Hyundai i30 N e perdeu momento. Com isso foi ultrapassado por Esteban Guerrieri, que com ritmo e motivação q.b. estava onde precisava de estar no início da prova, a liderar com o Honda Civic. Michelisz caiu para terceiro, superado por Mikel Azcona, no CUPRA da PWR Racing.

Ainda nas primeiras voltas, depois de um arranque ‘canhão’, outra vez vindo detrás do top 10, Johan Kristofferson colocava o Volkswagen Golf da Sebastien Loeb Racing na cola de Michelisz, e não demorou muito para que o superasse. O húngaro, com um mau início de corrida, via-se no quarto lugar, curto na luta pelo título quando o seu grande adversário era líder.

Foi ainda dentro das cinco primeiras voltas que se deu o momento de viragem numa corrida que estava a ser verdadeiramente épica e imprópria para cardíacos. A luta pelo primeiro lugar entre Esteban Guerrieri e Mikel Azcona estava a aquecer e num ápice ficou quente demais. Azcona tentou várias vezes a ultrapassagem e a determinada altura empurrou o Honda do argentino, forçando-o a ir para fora de pista. No curto trajeto de Guerrieri pela escapatória, o radiador do Honda Civic ficou sujo de terra e outros ‘materiais’ e o argentino queixou-se à equipa de estar a perder rendimento no seu carro. Tinha razão, estava cerca de 40 km/h mais lento e afundou-se na classificação.

Johan Kristofferson

Na cabeça da corrida já estava Kristofferson, que no momento acalorado entre Guerrieri e Azcona, saltou para a liderança. Enquanto Guerrieri se afundava na classificação, Michelisz também já era superado por Kevin Ceccon no Alfa Romeo Giulietta da Mulsanne.

Sensivelmente a meio da prova, Atila Tassi ficou imobilizado com o Honda Civic da KCMG na escapatória entre as curvas 3 e 4 do Circuito de Sepang, ‘convidando’ à entrada do safety-car. Nessa altura, Esteban Guerrieri, já desorientado, veio por três vezes às boxes, para tentar limpar o radiador do Honda Civic da ALL-INKL.com Münnich Motorsport. O problema no Honda do argentino ficou mesmo resolvido, na altura em que a corrida teve de novo bandeira verde, mas o atraso de Guerrieri era já insolúvel. O argentino, com raiva, limitou-se até ao fim da prova a sistematicamente bater a volta mais rápida da corrida.

Kevin Ceccon

Na frente a luta estava intensa, com Johan Kristofferson, Mikel Azcona e Kevin Ceccon a lutarem pela vitória. Mas atrás, sem correr riscos, Norbert Michelisz abdicava do 4º lugar, deixando-se facilmente superar pelo bom ritmo de Frederic Vervisch no Audi RS3 da Comtoyou Team Audi Sport. Até ao fim da prova, os três primeiros deram espetáculo, lutando pela vitória, embora na última volta Johan Kristofferson se tenha isolado o suficiente para vencer em Sepang.

A luta a dois pela segunda posição decidiu-se apenas na derradeira volta, à entrada da reta da meta, pendendo para Mikel Azcona, que viria no entanto a ser penalizado em 30 segundos, ao ser considerado culpado no incidente com Esteban Guerrieri. Com isso, Kevin Ceccon concluiu com o Alfa Romeo na 2ª posição, cabendo a Frederic Vervish o derradeiro lugar do pódio.

Frederic Vervisch

Norbert Michelisz concluiu a prova com o carro da BRC Hyundai N Squadra Corse na 4ª posição, mais que suficiente para festejar o título de Campeão do Mundo no FIA WTCR. O húngaro descomprimiu de uma prova intensa na volta de regresso às boxes, chorando compulsivamente dentro do carro.

Nestor Girolami comlpetou o top cinco, no outro Honda Civic da ALL-INKL.com Münnich Motorsport, enquanto que o português Tiago Monteiro concluia o seu melhor desempenho do fim de semana na sexta posição, no Honda Civic da KCMG.

Tiago Monteiro

Na 7ª posição chegou Thed Björk, o melhor representante da Lynk & Co nesta derradeira prova do ano, em que a marca chinesa se sagrou Campeã nas Equipas, através da Cyan Racing.

Benjamin Leuchter foi 8º noutro Volkswagen Golf da Sebastien Loeb Racing, seguido do companheiro de equipa Rob Huff. Jean-Karl Vernay fechou o top 10 no Audi RS3 da Leopard Racing Team. Ivan Muller foi 11º no outro Lynk & Co da Cyan Racing e Esteban Guerrieri terminou a prova na 22ª posição.

O pódio da Corrida 3 em Sepang, já com Norbert Michelisz e ainda sem ter sido atribuída a penalização a Mikel Azcona
Na hora de celebrar o título, as primeiras palavras de Norbert Michelisz foram para Esteban Guerrieri. “Em primeiro lugar, quero honestamente felicitar o Esteban Guerrieri, pois as suas prestações hoje nas corridas 2 e 3 foram fortíssimas. Foi uma luta muito intensa, ambos demos tudo em pista”. O húngaro continuou, dizendo que “acho que ele teve alguns problemas, mas para ser honesto, eu também. Antes do início da Corrida 3, parecia que eu nem sequer ia iniciar a prova: Mas depois, mesmo com o carro a 90%, acabei por conseguir arrancar e o final, foi inacreditável. Sinceramente, não sei o que dizer, sinto apenas um enorme alívio no final de uma longa temporada”.
Na hora da consagração, Norbert Michelisz não se esqueceu de como tudo começou. “Há pouco mais de 10 anos, eu ainda fazia corridas no computador e ansiava por ter uma carreira no desporto motorizado. Acabei por conseguir concretizar esse sonho e hoje estou aqui a celebrar o título mundial no campeonato de carros de turismo mais importante do mundo. Por isso, tenho que agradecer muito a todos. Não quero estar a dizer nomes, pois tenho receio de me esquecer de alguém”.

Texto: Jorge Cabrita – Fotos: WTCR Media/DPPI (Gregory Lenormand, Florent Gooden)

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