
A edição de 2026 das 12 Horas de Sebring confirmou o estatuto da clássica da Florida como uma das corridas mais imprevisíveis do endurance, com decisões em aberto até aos instantes finais e batalhas intensas em todas as categorias.
Na frente, a Porsche Penske Motorsport voltou a impor-se, assinando uma dobradinha dominante após controlar praticamente toda a corrida. Já nas restantes classes, o equilíbrio foi a nota dominante, com lutas renhidas e reviravoltas até à bandeira de xadrez.
Entre tráfego constante, estratégias divergentes e vários períodos de neutralização, a corrida manteve-se aberta durante grande parte das 12 horas. O desfecho acabou por se decidir na última fase, onde a gestão de pneus, o posicionamento em pista e a capacidade de resposta em momentos críticos fizeram a diferença.
Enquanto algumas equipas capitalizaram consistência ao longo do dia, outras tiveram de recuperar de contratempos para alcançar resultados de destaque, reforçando o caráter imprevisível da prova.
No final, Sebring voltou a cumprir a tradição: uma corrida dura, estratégica e emocional, onde cada classe contou uma história própria — todas marcadas por intensidade até ao último minuto.
GTP: Porsche Penske Controla e Decide Entre Si
A Porsche Penske Motorsport voltou a afirmar-se como a referência da categoria GTP, dominando praticamente toda a corrida e assegurando uma nova dobradinha em Sebring.
O Porsche 963 n.º 7, pilotado por Felipe Nasr, Julien Andlauer e Laurin Heinrich, acabou por levar a melhor após um final tenso frente ao carro irmão n.º 6. A diferença entre ambos foi mínima, com Nasr a cruzar a meta apenas 1,5 segundos à frente de Kevin Estre.
A luta interna entre os dois carros da equipa marcou a fase final da corrida, com várias trocas de liderança e interpretações distintas sobre a gestão da batalha. Ainda assim, a estrutura manteve o controlo, garantindo o resultado ideal.
A corrida foi amplamente dominada pelos Porsche, que lideraram quase todas as voltas, confirmando o excelente momento da equipa após também vencer em Daytona. Este duplo triunfo consolida a posição da marca como referência no início da temporada.
Atrás, a luta pelo último lugar do pódio foi igualmente intensa, envolvendo várias marcas. O Cadillac n.º 31 herdou o terceiro lugar após penalização de um rival, sublinhando como cada detalhe pode influenciar o resultado final em Sebring.
No conjunto, a Porsche demonstrou superioridade em ritmo e execução, num cenário onde a gestão de equipa foi tão determinante quanto a performance em pista.
LMP2: United Autosports Assina Dobradinha Histórica
A United Autosports dominou a categoria LMP2, garantindo uma inédita dobradinha em Sebring com os seus dois ORECA 07.
O triunfo sorriu ao carro n.º 2, com Mikkel Jensen, Phil Fayer e Hunter McElrea, após uma chegada extremamente apertada. A diferença para o carro irmão n.º 22 foi de pouco mais de meio segundo, reflexo de uma luta intensa até ao final.
A corrida foi marcada por forte competitividade e pela complexidade de gerir o tráfego, um dos maiores desafios da categoria em Sebring. A equipa conseguiu manter consistência ao longo das 12 horas, posicionando ambos os carros na frente na fase decisiva.
Para Jensen e McElrea, o resultado reforça um ciclo de sucesso iniciado na temporada anterior, agora consolidado com uma vitória emblemática numa das provas mais exigentes do calendário.
O pódio ficou completo com a Tower Motorsports, que manteve uma presença consistente no top 5 ao longo da corrida, capitalizando regularidade e estratégia.
A prestação da United Autosports evidencia não só a velocidade, mas também a capacidade de execução em corridas longas, onde a margem de erro é mínima.
GTD Pro: “Grello” Estreia-se a Vencer nos EUA
O icónico Porsche “Grello” levou a melhor na categoria GTD Pro, garantindo a primeira vitória nos Estados Unidos para a estrutura Manthey.
Com Thomas Preining, Klaus Bachler e Ricardo Feller ao volante, o Porsche 911 GT3 R n.º 911 protagonizou um duelo intenso com o carro da AO Racing, decidido apenas na fase final da corrida.
A ultrapassagem decisiva surgiu a cerca de 90 minutos do fim, com Preining a assumir a liderança e a consolidar a vantagem até à bandeira de xadrez, cruzando a meta com pouco mais de um segundo de margem.
A luta entre os dois Porsche marcou a categoria, confirmando ambos como referências do pelotão. Atrás, o Corvette da Pratt Miller completou o pódio.
Para a Manthey, esta vitória assinala um arranque promissor na estreia no campeonato IMSA, transportando para os EUA o sucesso já alcançado na Europa.
O triunfo reforça também o estatuto do “Grello” como um dos carros mais emblemáticos do GT mundial, agora com um novo capítulo do outro lado do Atlântico.
GTD: Ferrari Vence na Última Volta Após Recuperação Épica
A vitória na categoria GTD foi uma das mais dramáticas da corrida, com a Af Corse a conquistar o triunfo na última volta após uma recuperação notável.
O Ferrari 296 GT3 n.º 21, pilotado por Antonio Fuoco, Lilou Wadoux e Simon Mann, superou três penalizações ao longo da corrida para ainda assim chegar à frente no momento decisivo.
A decisão surgiu na última volta, quando Fuoco aproveitou um erro do líder para assumir a liderança e garantir a vitória por menos de um segundo.
A corrida da equipa foi marcada por resiliência, com uma recuperação impressionante desde posições fora da luta direta até à vitória. A consistência e a agressividade nos momentos-chave foram determinantes.
Além do triunfo, destaque para Lilou Wadoux, que se tornou na primeira mulher a vencer uma classe em Sebring em quase uma década.
Num final típico de Sebring, a categoria GTD voltou a mostrar porque é uma das mais imprevisíveis do endurance, com uma decisão apenas selada nos últimos metros.