Primeira Vitória Para Max Guenther na Fórmula E

António Félix da Costa tudo fez para vencer e teve na sua equipa a principal razão para não o conseguir.

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Max Guenther (BMW i Andretti Motorsport)

O alemão Max Guenther venceu esta tarde o Antofagasta Minerals Santiago E-Prix, na capital do Chile. O piloto conseguiu a sua primeira vitória no campeonato e aos comandos do carro da BMW i Andretti Motorsport, que continua a mostrar-se muito forte no início da temporada.

Guenther saiu para a corrida da primeira linha, ao lado do autor da pole position, o neo-zelandês Mitch Evans, no carro da Panasonic Jaguar Racing. O alemão passou a liderar já na segunda metade da prova, com excelente ritmo que desde logo lhe permitiu abrir vantagem sobre o neo-zelandês. Nas últimas voltas, António Félix da Costa superou Mitch Evans e colocou o carro da DS Techeetah na peugada do líder. O mais rápido em pista no último terço da corrida, António Félix da Costa depressa se colocou na pressão ao alemão da BMW e mais depressa ainda o superou. No entanto, o português teve que abrir mão de uma vitória certa na última volta, quando as baterias do seu carro se aproximaram da temperatura limite para ‘reset’. Max Guenther cruzou a linha de meta vencedor, com 2.067s de vantagem sobre um inconformado António Félix da Costa, chegando mais atrás (+5.119s) Mitch Evans, a colocar-se no derradeiro lugar do pódio.

Mitch Evans (Panasonic Jaguar Racing)

A corrida em Santiago do Chile foi, numa palavra, espetacular. O percurso mais cativante selecionado para esta edição de 2020 privilegiou e muito o espetáculo, algo que o excelente plantel que esta temporada milita na Fórmula E não desaproveitou. Até às últimas voltas da corrida, não houve grande luta pela primeira posição, mas houve muito espetáculo em pista e vários pilotos a destacarem-se.

Pascal Wehrlein tornou a estar muito competitivo no carro da Mahindra Racing. Sempre protagonista nas prmeiras posições, Wehrlein acabou a prova em 4º, á frente do ‘super-rápido’ Nick De Vries, hoje o melhor entre os carros da Mercedes Benz EQ, logo seguido do companheiro de equipa, Stoffel Vandoorne.

Na 7ª posição chegou um dos pilotos com maior brilho nesta prova. O brasileiro Lucas Di Grassi, mostrou uma vez mais porque é um dos melhores pilotos na Fórmula E e a sua experiência não justifica tudo. Di Grassi largou para a corrida do 22º lugar e foi sempre a subir posições. Com muito brilho em Santiago do Chile esteve também o inglês James Calado. Na sua terceira corrida na Fórmula E, ele que ultimamente é ‘basicamente’ um piloto de GT’s e endurance, mostrou todo o seu talento e versatilidade, o colocando o carro da Panasonic Jaguar Racing no 8º lugar, após ter iniciado a corrida na 18ª posição.

Felipe Massa terminou no 9º lugar. O brasileiro, ex-Fórmula 1, fez uma boa corrida, claudicando apenas a partir do momento que foi ’empurrado’ para fora de um dos ganchos no terceiro setor do traçado, pelo companheiro de equipa Edoardo Mortara. A partir daí, o brasileiro nunca mais encontrou o ritmo que demonstrou no início ao volante do carro da Rokit Venturi Racing, acabando ainda assim por ficar bem dentro do top 10, à frente de Sam Bird, que começou a corrida ‘aos piões’ mas acabou forte no carro da Envision Virgin Racing.

Jean-Eric Vergne: Pouco Piloto de Equipa, Muito Dececionante

Jean-Eric Vergne (DS Techeetah)

Vencedor nas duas últimas temporadas do campeonato ABB FIA Fórmula E, Jean-Eric Vergne começou esta corrida com estatuto e performance de campeão, trabalhando em equipa com António Félix da Costa, um atrás do outro subindo posições de forma constante. Cedo se percebeu que o piloto português era mais rápido, embora Vergne fosse na fase inicial da corrida sempre mais expedito nas ultrapassagens. No entanto, numa dessas ultrapassagens, o francês ficou com a sua asa dianteira esquerda danificada e foi perdendo performance. Até aí tudo bem, mas essa perda de performance foi prejudicando não só Vergne, como também António Félix da Costa, com o português a ver o bom trabalho até aí realizado na corrida a ser posto em risco. O mais grave e incompreensível foi quando, pra lá da metade de corrida, a asa dianteira do carro de francês ‘se sentou’ em cima do pneu esquerdo, causando a óbvia perda de performance. Nessa altura, incrivelmente, ‘JEV’ limitou-se barrar o caminho ao seu companheiro de equipa, por duas vezes praticamente o jogando para fora de pista, sob o olhar hipócrita da sua equipa, que é de ambos. O francês, ou a sua equipa, acabaram por tomar um pouco de vergonha e, quando este foi à boxe reparar a asa, optaram pelo abandono. Duplo vencedor desta competição, Jean Eric Vergne continua no entanto a não ter estofo de campeão.

António Félix da Costa: Como Todos o Conhecemos, Enorme

António Félix da Costa (DS Techeetah)

António Félix da Costa teve hoje no Antafagosta Minerals Santiago E-Prix uma das suas melhores prestações desde que compete na Fórmula E. O piloto português foi um senhor em pista, saindo para a corrida da 10ª posição, perdendo alguns lugares no arranque, sofrendo um toque que não causou danos ainda durante a primeira volta e galgando posições de forma consistente, não passando despercebidas às cameras de televisão dois ou três momentos de ultrapassagens de antologia. Em circunstâncias normais, o piloto português teria vencido a corrida, já que no meio da sua notável prestação, foi sempre buscando apoio da sua equipa, na confirmação de que a gestão do seu equipamento estava a ser bem feita. No entanto, a DS Techeetah, equipa de referência na Fórmula E, que venceu os dois últimos campeonatos, deu hoje uma cabal prova de amadorismo, deixando o português na mão por duas vezes: a primeira quando se esqueceu (ou talvez não) de dar instruções a Jean-Eric Vergne, que deveria deixar ultrapassar o piloto português e a segunda, quando os engenheiros se baralharam a gerir a bateria do carro de António Félix da Costa, tornando-se o único impedimento à vitória do português. É caso pra dizer, ‘francesices’!

Texto: Jorge Cabrita – Fotos: Fórmula E/LAT Images

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