
A Alpine chega ao primeiro balanço sério da temporada de 2026 com uma realidade dupla. Por um lado, Pierre Gasly tem conseguido manter a equipa regularmente na zona de pontos e surge, após Suzuka, entre os dez primeiros do campeonato. Por outro, Franco Colapinto continua num processo de adaptação mais irregular, somando apenas um ponto nas três primeiras corridas e ainda à procura de uma base mais estável para o seu arranque de temporada.
Essa diferença não significa necessariamente uma crise interna, mas expõe bem o momento atual da equipa. A Alpine parece ter dado um passo competitivo em relação a 2025, mas continua dependente da experiência de Gasly para transformar ritmo em resultados. Ao mesmo tempo, Colapinto está a enfrentar aquilo que é normal num rookie em Fórmula 1: a necessidade de aprender depressa num campeonato extremamente apertado.
Gasly é o ponto de equilíbrio

Pierre Gasly tem sido a figura central da Alpine neste início de campeonato. O francês abriu o ano com um décimo lugar na Austrália, voltou a pontuar na China e confirmou a boa forma no Japão com um sétimo lugar muito sólido, terminando à frente de Max Verstappen em Suzuka. Esse conjunto de resultados explica porque é, para já, o rosto mais estável da equipa em 2026.
Mais do que os pontos, impressiona a forma como Gasly os tem construído. O francês tem conseguido tirar rendimento do carro em contextos diferentes, seja em corridas agitadas, como Melbourne, seja em provas mais técnicas e estratégicas, como Suzuka. Numa equipa ainda longe do topo, essa regularidade pesa muito.
Colapinto mostra flashes, mas ainda com oscilações

Franco Colapinto teve o seu melhor momento na China, onde terminou em décimo e somou o primeiro ponto do ano, mas o balanço das três primeiras etapas continua mais irregular do que o de Gasly. Na Austrália, uma penalização por um erro operacional destruiu as suas possibilidades de pontuar, e no Japão acabou apenas em 16.º, depois de um fim de semana em que o seu nome também entrou em foco por ter estado envolvido no contexto do acidente de Oliver Bearman.
Nada disto invalida o potencial do argentino, mas ajuda a enquadrar melhor o seu arranque. Colapinto ainda está a construir referência em qualificação, corrida e gestão de energia, precisamente num regulamento novo que complicou bastante a vida a pilotos menos experientes. Para a Alpine, a prioridade será agora transformar esses flashes em consistência.
Três corridas deixam um balanço intermédio

O balanço da Alpine nas três primeiras provas é, por isso, misto, mas não negativo. A equipa mostrou capacidade para estar nos pontos com alguma regularidade e entra na pausa até Miami com a sensação de que existe uma base competitiva utilizável. Ao mesmo tempo, o contraste entre os dois pilotos revela que ainda há trabalho a fazer para que esse potencial se traduza em resultados mais consistentes dos dois lados da garagem.
Se Gasly mantiver este nível e Colapinto conseguir estabilizar a sua adaptação, a Alpine pode consolidar-se como uma das equipas mais fortes do meio do pelotão. Para já, vive entre dois ritmos: o da experiência que entrega pontos e o da aprendizagem que prepara o futuro. E essa dualidade ajuda a explicar bem o verdadeiro estado da equipa após Austrália, China e Japão.



















































