Foto: ©Mercedes

A qualificação para o Grande Prémio do Japão confirmou uma ideia que já vinha a ganhar força neste arranque de temporada: a Mercedes chega a Suzuka com o pacote mais sólido do momento. Andrea Kimi Antonelli conquistou a pole position com 1:28.778, batendo o colega George Russell por menos de três décimos e garantindo uma primeira fila totalmente Mercedes. Foi a segunda pole consecutiva do jovem italiano, depois de já ter sido o mais rápido na China.

Se a pole de Antonelli impressiona pelo tempo, impressiona ainda mais pelo contexto. O italiano esteve forte durante todo o fim de semana e voltou a aparecer nos momentos decisivos, enquanto Russell manteve o padrão de consistência que tem definido o seu início de 2026. A Mercedes não só monopolizou a primeira fila como voltou a mostrar equilíbrio entre uma volta rápida, confiança nas mudanças de direção e capacidade de gestão num circuito tão exigente como Suzuka.

Atrás da Mercedes, a McLaren confirmou-se como principal perseguidora. Oscar Piastri colocou o seu carro em terceiro, a apenas 0,054s de Russell, enquanto Lando Norris fechou o top 5, ligeiramente atrás de Charles Leclerc. A leitura é clara: a equipa de Woking está mais próxima do topo do que em corridas anteriores, mas ainda sem conseguir transformar essa proximidade em pole. No meio dos dois McLaren ficou Leclerc, quarto, mantendo a Ferrari na luta direta pelo top 3.

Foto: ©Ferrari

Lewis Hamilton, em sexto, completou uma presença forte da Ferrari no top 10, ainda que a Scuderia volte a sair de uma qualificação com a sensação de estar presente, mas não dominante. A partir daqui, a sessão entrou em território particularmente interessante: Pierre Gasly colocou a Alpine em sétimo, à frente de Isack Hadjar, oitavo pela Red Bull, enquanto Gabriel Bortoleto assinou um excelente nono lugar para a Audi. A fechar o top 10 apareceu Arvid Lindblad, rookie da Racing Bulls, numa das notas mais marcantes da sessão.

Foto: ©Alpine

Esse top 10 conta também uma história importante fora dos nomes mais óbvios. Gasly voltou a tirar tudo de um Alpine competitivo em setores de média e alta velocidade. Bortoleto colocou a Audi em Q3 e reforçou o bom impacto que tem vindo a causar no arranque da época. E Lindblad conseguiu aquilo que muitos rookies demoram meses a alcançar: uma presença natural entre os dez mais rápidos num circuito que não perdoa erros.

Mas talvez o dado mais relevante da sessão tenha sido o nome ausente no top 10. Max Verstappen caiu em Q2 e ficou fora da decisão da pole, eliminado precisamente nos últimos instantes por Lindblad. O facto de o tetracampeão e vencedor das últimas quatro edições em Suzuka não ter chegado à Q3 ajuda a medir a mudança de forças que esta qualificação expôs. Neste momento, a Mercedes parece ter a referência, a McLaren está viva, a Ferrari continua próxima e a luta do meio do pelotão está mais apertada do que nunca.

Para a corrida, a grelha deixa um cenário claro: Antonelli entra como favorito natural, Russell como ameaça interna imediata, Piastri como primeiro candidato a quebrar o controlo da Mercedes e Leclerc e Norris como nomes a seguir de perto. Suzuka voltou a premiar precisão, confiança e compromisso — e, na tarde de sábado, ninguém juntou melhor esses três elementos do que Antonelli.

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